Biografia

Nome completo:
Álvaro Maia Parente
Data de nascimento:
4 de Outubro de 1984
Naturalidade:
Porto, Portugal
Residência:
Foz do Douro, Porto
Idiomas:
Português, Inglês, Italiano e Francês
Altura e Peso:
1,73m – 69 Kgs

Os primeiros passos

Nascido numa família do Porto, com grandes tradições no desporto automóvel, desde muito cedo, inevitavelmente, o cheiro a gasolina, aditivos e outros aromas do desporto motorizado influenciaram definitivamente a sua educação, a sua vida. Para além do seu próprio lar e casa dos seus pais, para onde quer que se dirigisse, no seio familiar, lá estavam os automóveis sempre a marcar presença, sob a forma de troféus arduamente conquistados, fotografias ou até mesmo a três dimensões, conforme a época vivida na altura.

Instalações da "PE" na famosa “rotunda dos Produtos Estrela” (1948 - 1990)

Instalações da "PE" na famosa “rotunda dos Produtos Estrela” ( 1948 - 1990 )

Um dos primeiros autocarros "PE"

Tudo começou pelo seu avô paterno, Adérito Gomes Parente, fundador na década de 40 de uma pequena empresa industrial – Fábrica de Produtos Estrela – onde iniciou a fabricação de artefactos metálicos como clipes, pionais, botões, ferragens, peças em fundição e injecção de plástico e até brinquedos de madeira. Nos anos 50, iniciou a produção de pequenos electrodomésticos e, simultaneamente, em novas e mais amplas instalações fabris, na conhecida “rotunda dos Produtos Estrela” do Porto, desenvolveu então o projecto de carrossagem de autocarros a partir de chassis e motores importados de Itália, em colaboração com a Sirius/Fiat. Consagrou-se assim, como o primeiro construtor nacional de carroçarias metálicas para autocarros.

A par desta incursão industrial, e dando satisfação à sua paixão pelos desportos motorizados, o Avô Parente, desenvolvia a título pessoal a participação em provas de estrada, com os então endiabrados e famosos Dyna Panhard, carros de origem francesa e de baixa cilindrada, atingindo sempre resultados de relevo; daí os inúmeros troféus, normalmente em forma de “taça”, que nessa altura eram feitos em prata…
O espírito empreendedor do Avô Parente, tornou-o num dos muito poucos construtores de automóveis de competição em Portugal. Vivia-se a década de 50 do Século XX, quando surge o automóvel PE, uma espécie de “barchetta” de 2 lugares, com mecânica Panhard, que teve a sua estreia em competição,nas prestigiadas “12 Horas de Casablanca”, marcando também presença em várias edições do “Circuito do Porto” em corridas complementares ao programa da Fórmula Um.

Este belo “coupé”, foi o primeiro protótipo “PE”, de turismo, aqui em fase de acabamentos

O Avô, Adérito Parente, ao volante de um dos protótipos de competição "PE", do tipo "barchetta" de 2 lugares

Para além do Avô, que marcou decisivamente todo o clã familiar, também os Tios, embora em menor escala, fizeram incursões em diversas modalidades da competição automóvel, durante vários anos, mas a carreira mais longa foi vivida pelo seu Pai, com o mesmo nome, que competiu regularmente durante cerca de 29 anos, principalmente em provas de velocidade.

O Tio Adérito, em acção no Rally TAP de 1974

O Tio Zé, “a voar”, no Rally TT Montes de Fafe de 95

Famosas ficaram, do Álvaro Parente Pai, as fulgurantes saídas das grelhas de partida, os tempos realizados em chuva e as longas incursões pela antiga escapatória de terra da curva do castelo, no circuito de Vila do Conde, com o Ford Capri 3.0, que redundavam em longos slides controlados, sem nunca tirar o pé…

O Álvaro Parente, Pai, no carismático "Ford Capri 3.0 V6" de Grupo 1, a curvar no "Castelo" no Circuito de Vila do Conde, em Junho de 1975

A surpresa : o 1º kart aos 4 anos, acabados de fazer. Os pedais quase encostados à "baquet", de acordo com a altura do piloto...

Era óbvio! No Natal de 1988, tinha acabado de fazer 4 anos, o Pai oferece-lhe o primeiro Kart…

Tratava-se de um chassis de pequena dimensão com um motor de 50 cm3 e embraiagem centrífuga, de prestações modestas, mas o suficiente para dar início às primeiras preocupações e ansiedades – que a família continua a viver ainda hoje – dada o reduzido tamanho e idade do piloto naquela época!
Para as primeiras voltas nada melhor que o “court” de ténis da propriedade dos Avós Paternos, em Vila Nova de Gaia.

As primeiras voltas, no "court" de ténis, já sem a corda de segurança

Como novidade que era, a família acorre em peso para assistir à estreia. Entre entusiasmos não contidos e murmúrios de receio, principalmente da Avó e da Mãe, havia reacções de todo o tipo.
Para além dos “obrigatórios” elementos de segurança, oferecidos juntamente com a máquina – capacete integral, do tamanho mais pequeno que havia no mercado e que mesmo assim era grande, luvas de lã (não havia outras) e macacão improvisado – como medida preventiva, contra qualquer excesso de fogosidade ou falta de experiência, uma simples corda, de uns 10 metros de comprimento, amarrada à barra traseira do chassis e… “bora” lá começar a andar:
Varinho aos comandos do bólide e o Pai ao comando da corda!

Uma pausa nos treinos para convívio com as primeiras fãs: a prima Marta e a mana Maria João

De referir que, felizmente, nunca houve necessidade de actuar com a corda e que esta, foi sumariamente abandonada por desnecessária, na segunda jornada caseira. Mesmo para a irmã, Maria João, mais velha um ano, nunca foi necessária, demonstrando também, desde logo, grande habilidade no desenho de trajectórias, que foi apurando ao longo dos tempos, em treinos e corridas privadas, qualidades que, o próprio irmão lhe reconhece. Já a prima, Marta, mais nova 6 meses, ainda se atreveu a sentar no kart mas, mal ouviu os primeiros roncos do “potente” motor, fugiu a sete pés, de tal maneira assustada que nunca mais quis voltar a experimentar.
Mesmo assim, aquela corda foi responsável, apenas no primeiro dia, pela melhoria da condição física do Pai, que apesar dos generosos 10 metros de comprimento, teve que dar umas boas corridas em torno do “court”, tal era já o ritmo que o Varinho imprimia!

Despontavam assim os primeiros sinais do talento nato que hoje todos reconhecem ao Varinho, naquele “court” de ténis que, não há dúvida, foi a primeira pista de uma carreira brilhante, que se pretende que continue em expansão.

O traçado improvisado, no “court” de ténis, com vasos de flores vazios

Rapidamente, o nível de dificuldade apresentado pela pista improvisada se tornou insuficiente. Havia que actuar neste capítulo e logo Pai e Tios, lançando mão de vasos de flores vazios, desenham no “court” o primeiro traçado, com algumas curvas interessantes de negociar.
O piloto não se fazia rogado e a rapidez ia aumentando, à medida que se sucediam as voltas.
Daí a aumentar a dificuldade foi um passo: e assim, era ver Pai e Tios a regar a pista com mangueira de alto débito de água e o Varinho a dar gás, com cada vez menor aderência, a controlar os primeiros “slides” e a fazer os primeiros “piões”.
Famosa ficou uma explicação dada, pelo Varinho ao Avô, em que ele dizia “…estava a andar bem, mas di um pião…”
Em resumo: já pilotava melhor do que falava!…

Aos fins de semana, no kartódromo do "Cabo do Mundo"

Nos anos seguintes, aquele pequeno kart aguentou estoicamente todos os maus-tratos infligidos, em incursões particulares à pista do “Cabo do Mundo”, onde punha em prática todos os ensinamentos adquiridos com o Pai e onde demonstrava todo o seu instinto natural.

Rapidamente, todos os
segredos do pequeno bólide foram desvendados, todo o sumo retirado da máquina.

Em treinos privados a liderar um grupo de perseguidores

Havia que actuar novamente para evoluir.

É assim que, chegados a 1992, se dá a substituição do primeiro kart por nova máquina, mais ambiciosa, tendo em vista horizontes mais arrojados.

Tratava-se de um chassis mais evoluído, com motor de 80 cm3, de acordo com as especificações da categoria de iniciação – Categoria Cadete – e capaz já de performances muito interessantes.

Primeiro kart de competição, da categoria cadete. O capacete já com as cores de sempre

Concentração para a primeira grelha

Nesta altura, tinha o Varinho 7 anos (faria 8 em Outubro) e a idade mínima para participar em competições era de 8 anos, pelo que havia que esperar e… treinar.
E assim o fez, passando muitos dos fins-de-semana em que a pista do “Cabo do Mundo” estava disponível, treinando intensamente.

Até que surge, próximo do final do ano, a última prova do campeonato de 1992, realizada depois de 4 de Outubro.
É assim que, finalmente, já com 8 anos de idade, se estreia em competição.
É o início daquele, que é já hoje, um dos mais brilhantes Palmarés da História do Desporto Automóvel Nacional.

Finalmente o momento mais esperado. A primeira grelha de partida, a primeira corrida da vida do Varinho

2 Respostas

  1. […] Parente o nosso convidado. Publicado por jpmeneses em 30.04.2009 […]

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